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Relatório Do 1º Fórum da Bacia do Maracujá - 6 de abril de 2002

Manifesto de 5 de Junho de 2002

 

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PRINCIPAIS PROBLEMAS DO RIO

A foto acima apresenta uma vista geral da principal nascente do Rio Maracujá. Aqui nascem os Córregos Ranchador e Cipó, os dois principais formadores do Maracujá. Nesta nascente acontece há muitos anos o garimpo predatório de tópazio imperial. A lavra é feita por tratores, pás-carregadeiras e escavadeiras e não há nenhuma preocupação com a recuperação ou o controle ambiental da região. E para piorar, o garimpo é feito em nascente de rio, onde implicou desmatamento da área, o que é proibido por lei (Lei nº 7.754 de 14/04/89). Observe as erosões resultantes das atividades garimpeiras não controladas.

Esta foto já mostra a nascente do Córrego Cipó, soterrada pelo estéril retirado na extração do topázio imperial e o revolvimento indiscriminado de solo. Este local passou a ser uma fonte de geração de sedimentos que, ao chover, vão parar justamente na calha do Rio Maracujá.

A foto acima mostra onde vão parar os sedimentos gerados na nascente do Maracujá. Assoreado, o rio se resume a um pequeno filete d'água correndo timidamente em meio ao grande volume de sedimentos. Observe no lado esquerdo da foto.

Aqui acima, mais uma foto mostrando o assoreamento do Maracujá.

Na foto acima, pequenos barramentos feitos por garimpeiros para a procura do topázio imperial. Quebram completamente o fluxo do rio e seu equilíbrio hidrodinâmico.

Esta foto ilustra com clareza a que ponto chegou o assoreamento do Rio Maracujá. Embaixo desta ponte, há pouco mais de dez anos, uma pessoa de altura próxima a 1,90 metros passava com os braços esticados para cima sem tocar o fundo da ponte.

Esta foto mostra outro problema sério pelo qual passam os rios que banham centros urbanos. Apesar de Cachoeira do Campo não ser uma cidade grande, o volume de esgotos gerados já causam um grave problema de poluição no Maracujá. Para agravar a situação, o rio já chega em Cachoeira enfraquecido pelo assoreamento à montante.

Aqui nesta foto, aparece a secular e histórica Ponte do Palácio, a última ponte através da qual passa o Rio Maracujá antes de sair definitivamente de Cachoeira do Campo. Neste ponto, o cheiro de esgoto é insuportável. A cor da água é azul escura com tons de verde e o fundo do rio está impregnado com substâncias muito provavelmente nocivas à saúde. Outra coisa curiosa neste ponto é que esta ponte possui três aberturas para passar água: são chamadas de óculos. Há uns cinqüenta anos o Rio Maracujá passava pelos três; hoje, passa por menos da metade de um deles.

Esta foto ilustra o lançamento de esgoto direto no rio, completamente sem tratamento. Imagine milhares de casas fazendo isto ao mesmo tempo, num rio enfraquecido como o Maracujá.

Como se não bastasse o esgoto, o Rio Maracujá, "nas horas vagas" também vira depósito de lixo. Isto é resultado da falta de educação da maioria das pessoas, já que há o serviço de recolhimento de lixo pela Prefeitura Municipal de Ouro Preto. Para muitas pessoas é menos trabalhoso jogar o lixo no rio que juntá-lo num contáiner e esperar o lixeiro passar. O Comitê Manuelzão da Bacia do Maracujá está fazendo a sua parte. Esta mostrando às pessoas o resultado de seus atos e até que ponto o rio poderá chegar. As únicas pessoas que poderão salvar o rio serão os próprios moradores da região por onde ele passa. É preciso acabar com as acões remediadoras e fortalecer as preventivas. Não podemos ficar de braços cruzados esperando a água de nossa torneira secar ou alguém ficar gravemente doente por causa do esgoto e lixo e aí sim, tomarmos alguma providência, o que pode ser tarde demais.Vamos pensar um pouco! Será que o fim de um rio, que trouxe prosperidade para a região num passado não tão distante, não nos tocará o coração algum dia? Reflitamos e vamos agir!

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Coluna Ecológica

Por: Robson José Peixoto

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